Eu estive vivendo no lugar escuro.
O lugar onde todos os pensamentos e ações levam à chama negra da eterna escuridão interna que consome, de maneira inerente, presente passado e futuro. A chama que permeia os conhecimentos mais devaneantes. O resultado da reflexão no espelho da vida e da morte.
Às vezes acho-me livre da escuridão, pensando ter escapado para a luz. Porém, não demora muito até ser lembrado de que há frestas no teto do Tártaro para onde escapam as luzes fugidias das chamas do mundo infernal, luzes que penetram as profundezas e se ampliam de forma cônica, dissimulando o trajeto do meu caminhar enquanto busco no eterno andar a fuga da realidade para os mundos internos de outrora, que ainda me acompanham mesmo que de forma sonolenta, atraídos pelos estados moribundos da carcaça humana.
Desde quando estou aqui?
Não lembro quando caí, mas sei que nunca saí.
Leia e veja. Veja os corpos voando, os olhos chorando e os corações derretendo. Mas também veja as tardes sonolentas e inquietantes de domingo, tão depreciadoras quanto podem ser. Assistamos juntos o fim das eras, o fim da criatividade...
quinta-feira, 26 de setembro de 2019
terça-feira, 2 de abril de 2019
A chama antiga que consome e ressuscita
Você ainda me atormenta em meus sonhos. A insensatez da volúpia, da proximidade, do magnífico olhar há muito distante mas nunca esquecido. Sua existência é um buraco negro semprepresente no plano da minha criatividade e do meu universo delirante das noites da minha vida. Sua presença no meu passado ecoa no meu presente e molda minha mente rumo ao futuro.
Os demônios às vezes sonham com os anjos. Sonham com a sua companhia em noites livres, iluminadas, onde podem usufruir da companhia um do outro em meio à multidão sem preocupar-se com o julgamento daqueles alheios à situação. São os mesmos anjos estes que estiveram presentes em meio à nós, que nos trouxeram a beleza, que nos trouxeram o conhecimento da esperança e da possível proximidade dos extremos através das barreiras da vida e dos contextos.
Por mais que tenha sido passageiro... Por mais que, olhando para trás, a convivência possa ter sido rápida como um raio e, por mais que eu odeie admitir que também tenho culpa no que diz respeito à celeridade da convivência além das sombras segredantes, foi esse raio específico que fulminou minha existência e deixou uma marca que eu não desejo nunca esquecer.
Queira ou não queira, o tempo nos carrega para o desconhecido. Porém, as trevas do presente e do futuro se tornam menos assombrosas quando a luz da sua lembrança se faz presente na minha mente. Os olhos da minha mente nunca deixaram de vislumbrá-la.
Os demônios às vezes sonham com os anjos. Sonham com a sua companhia em noites livres, iluminadas, onde podem usufruir da companhia um do outro em meio à multidão sem preocupar-se com o julgamento daqueles alheios à situação. São os mesmos anjos estes que estiveram presentes em meio à nós, que nos trouxeram a beleza, que nos trouxeram o conhecimento da esperança e da possível proximidade dos extremos através das barreiras da vida e dos contextos.
Por mais que tenha sido passageiro... Por mais que, olhando para trás, a convivência possa ter sido rápida como um raio e, por mais que eu odeie admitir que também tenho culpa no que diz respeito à celeridade da convivência além das sombras segredantes, foi esse raio específico que fulminou minha existência e deixou uma marca que eu não desejo nunca esquecer.
Queira ou não queira, o tempo nos carrega para o desconhecido. Porém, as trevas do presente e do futuro se tornam menos assombrosas quando a luz da sua lembrança se faz presente na minha mente. Os olhos da minha mente nunca deixaram de vislumbrá-la.
domingo, 8 de abril de 2018
A insistência do vazio nas portas da mente
As doces legiões de imortais seguidores
A infinita fúria de outrora manifestada na chama da possibilidade
A loucura disforme, incansável, repetidora de angústias
A subida eterna da maré sufocante de insanidade e descrença
O desejo do passado, da morte e do vazio
O doce beijo do vazio e da morte das ideias
A morte da dor lancinante da alma que não descansa
Que a estrutura humana não compreende, não combate e não prevalece sobre
Que a superfície só demonstra de forma inevitável
Que o interior inunda e é inundado, perdendo o controle na aurora da tortura
A incansável disputa pela mente cristalina
Caos
Engano, traição, volúpia, perseverança, neutralidade
Consistência, eminência, decadência, desapego
A luz da manhã se apaga
O aspecto instintivo da existência murcha
Confusão substitui esperança
Arrependimento decompõe o futuro
E eu me apago perante a inevitabilidade da vida e da chama.
A infinita fúria de outrora manifestada na chama da possibilidade
A loucura disforme, incansável, repetidora de angústias
A subida eterna da maré sufocante de insanidade e descrença
O desejo do passado, da morte e do vazio
O doce beijo do vazio e da morte das ideias
A morte da dor lancinante da alma que não descansa
Que a estrutura humana não compreende, não combate e não prevalece sobre
Que a superfície só demonstra de forma inevitável
Que o interior inunda e é inundado, perdendo o controle na aurora da tortura
A incansável disputa pela mente cristalina
Caos
Engano, traição, volúpia, perseverança, neutralidade
Consistência, eminência, decadência, desapego
A luz da manhã se apaga
O aspecto instintivo da existência murcha
Confusão substitui esperança
Arrependimento decompõe o futuro
E eu me apago perante a inevitabilidade da vida e da chama.
quarta-feira, 18 de setembro de 2013
Howl of the Black Winds/Beasts of Death
O uivo dos ventos negros estremece os corpos das árvores na noite em que a lua é ocultada pela neblina cega. Tudo se escurece no caminhar ciclônico que forma a chegada das criaturas esquecidas. De terras perdidas, proibidas há muito, elas trazem sua força invencível até mesmo para os próprios deuses do Sol, que despenca no horizonte e concretiza o domínio dos caçadores. Bestas da morte, insaciáveis e imortais, cavalgam sobe a terra nas costas de mortos-vivos e ceifam a vida de qualquer um que possam achar. Elas sentem o cheiro, sentem o medo, sentem o sangue e a carne e os comem com seus corpos decompostos e os usam como armaduras. Nada sobrevive contra a lâmina do mal. Nada sobrevive contra a lâmina da escuridão.
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
Nightmare
Enquanto o homem abria a porta do quarto, eu podia ver a luz fraca que entrava da placa de motel do outro lado do estacionamento, esta que cortava alguns pedaços de escuridão que ainda permeavam e tentavam esconder o que se passava. Olhando para a direita, podia ver o corpo dela no chão, banhado em morte vermelha. Arregalava meus olhos, mas os contorcia pela dor de olhar para baixo e observar meus pés arrancados na altura do tornozelo. A serra elétrica ainda parava de girar na mão do vulto, enquanto ele continuava parado a olhar, esperando que eu reconhecesse o ambiente. Enquanto minhas mãos tentavam me ajudar a me levantar e ficar pelo menos sentado, o que não se mostrava possível, pude ouvir as seguinte palavras sendo ditas da direção da porta...
-Você até pode acordar de um pesadelo, mas nunca poderá acordar da sua vida.
Enquanto eu sentia o sangue fluindo pelos meus pés, concordei...
''Sim, minha mente está certa...''
-Você até pode acordar de um pesadelo, mas nunca poderá acordar da sua vida.
Enquanto eu sentia o sangue fluindo pelos meus pés, concordei...
''Sim, minha mente está certa...''
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
Frenesi Sangrento
As garras rasgam a carne, as presas miram a jugular e a boca é embebida pelo sangue que jorra das fissuras no corpo. O peso das patas rasga a pele enquanto os olhos, arregalados e obcecados observam a vítima pronta para o abate final. A força das mandíbulas sustenta uma evisceração frenética em movimentos famintos das facas que pulam da boca da besta. Sem reação, o alvo começa a ser devorado vivo, enquanto tenta resistir aos golpes na face, que desfiguram o semblante aterrorizado. As pernas estremecidas não são capazes de reação, e a alma se recusa a deixar o corpo. Nos jardins da manhã, não se espera o prenúncio da morte.
MORTE!! MORTE!! MORTE!!
Os tentáculos da fome não conhecem barreiras , a vontade não permite que parem! Não há escolhas nem alvos, só há vontade de assassinar! Bem-nascidos, mal-nascidos, velhos, jovens, recém-nascidos! Todos aqueles que se encontrarem com a fera terão o mesmo destino! Suas almas, pregadas aos corpos, sofrerão até o último momento, até o fim da devora! A fome de carne e a sede de sangue queimam, como queimam!
Não olhe para os lados, a morte está procurando...
Sacie a fome de matança!
MORTE!! MORTE!! MORTE!!
Os tentáculos da fome não conhecem barreiras , a vontade não permite que parem! Não há escolhas nem alvos, só há vontade de assassinar! Bem-nascidos, mal-nascidos, velhos, jovens, recém-nascidos! Todos aqueles que se encontrarem com a fera terão o mesmo destino! Suas almas, pregadas aos corpos, sofrerão até o último momento, até o fim da devora! A fome de carne e a sede de sangue queimam, como queimam!
Não olhe para os lados, a morte está procurando...
Sacie a fome de matança!
segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
Possuído pelo meu eu ressuscitado do Inferno
Houve um tempo de paz... Sim, ele existiu... E, nesse tempo, pensei que a presença dos anjos pudesse ser uma agradável comunicação, uma ajuda aos desavisados e desamparados... Em meio aos demônios eu os conheci, os reconheci e os amei enquanto salvadores de nossa reles discórdia.
Mas, como tudo nessa existência, este episódio também chegou ao seu fim. O conflito entre extremos sempre foi claro, mas a vontade de permanecer assim nos era forte demais para dizer algo. Anjos na escuridão, merecíamos todos uma chance. Mas não, não é assim que a vida e a morte funcionam...
Quando o tempo se fez necessário para o teste final, os anjos mostraram estar de passagem, e se foram para os céus, passando pela névoa obscura com suas asas ainda funcionais, a qual ainda não podíamos vencer...
''Mas os demônios não me abandonam... Me perseguem, me querem, me condenam... E eu quero que os demônios dominem-me e dominem o mundo... Quero ser a representação dos mesmos, se a luz deixar de ser acessível aos meus olhos...''
Agora, esta é a minha maior vontade...
Mas, como tudo nessa existência, este episódio também chegou ao seu fim. O conflito entre extremos sempre foi claro, mas a vontade de permanecer assim nos era forte demais para dizer algo. Anjos na escuridão, merecíamos todos uma chance. Mas não, não é assim que a vida e a morte funcionam...
Quando o tempo se fez necessário para o teste final, os anjos mostraram estar de passagem, e se foram para os céus, passando pela névoa obscura com suas asas ainda funcionais, a qual ainda não podíamos vencer...
''Mas os demônios não me abandonam... Me perseguem, me querem, me condenam... E eu quero que os demônios dominem-me e dominem o mundo... Quero ser a representação dos mesmos, se a luz deixar de ser acessível aos meus olhos...''
Agora, esta é a minha maior vontade...
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