Mostrando postagens com marcador Sonhos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Sonhos. Mostrar todas as postagens

domingo, 6 de junho de 2021

Permanências na narrativa

 Sonhos...

A realidade transcendental onde vivem as vontades, as memórias, alegrias, tristezas, avisos... Onde tudo vive amassado, aglutinado, unificado e em diálogo. Diferente da realidade consciente e lúcida, onde tudo luta pelo seu espaço na fila da manifestação.

E novamente você aparece diante de mim. Mais um sonho onde a visita inesperada surge inesperadamente em meio à trama, agindo com a normalidade de quem sempre ali esteve. São quase 10 e não 5 anos, sua memória não é presente no meu viver mas de alguma forma você ainda faz parte dos meus sonhos e vem trazida pela mesma pessoa que a trouxe da primeira vez no mundo externo.

Não me traz sentimentos ruins, nem muda os meus planos, mas sua permanência sempre será aleatoriamente surpreendente. Talvez esse breve encontro me ajude a conciliar com partes do meu eu que ficaram no passado. Talvez não. Mas acredito que a mente concluiu seu trabalho, pois neste exato momento ela trabalha para destrinchar e deixar esse acontecimento aqui, marcado nos Diários do Demônio [1a vez].

Seja bem vinda mas seja breve. Sua presença lá não mais tem lastro aqui.

G. L.

terça-feira, 6 de outubro de 2020

Sonhos no Tártaro da esperança

Por duas noites seguidas eu tenho sonhado com a tua presença. com o recomeço daquilo que perdemos, com o acerto de contas e com o duplo entendimento da condição alheia. Com a vontade de permanências que nos impulsionam nos nossos caminhos. Na primeira, veio até mim. Na segunda, fui até ti. Nas duas, o conturbado metamorfoseou no tranquilo e o momento já-terminado morreu, esquecido fora do campo do aprendizado, e deu espaço a um novo início, livre das garras e amarras e cobranças do passado.

Por quê? Por mais que esta seja uma realidade que me traria alegria, não busco tais sonhos. Os sonhos sempre foram, para mim, um refúgio da realidade. Maldita realidade, que nos derruba em todas as chances que se apresentam e que nos empurra para baixo sempre que percebe um fraquejo. Agora, me atormentam da mesma forma que o esperar do próximo dia. Me mostram o que poderia ser.

Mas acordo e imediatamente percebo a realidade no meu entorno. O inferno parece cada vez mais vazio. A crise se manifesta em todos os planos; e os anjos descem ao abismo para buscar os demônios enquanto outros escalam as montanhas erebicas na esperança de alcançarem a luz ou na ilusão de alçarem voo mais uma vez com a ajuda de ventos mais fortes.

Talvez as profundezas não estejam tão mais vazias quanto desocupadas. São poucos os que não voltam. Eu mesmo voltei, mesmo que muito antes de abrir meus olhos para aceitar a falta de luz. Porém, errados somos nós que esquecemos de onde viemos e nos acostumamos com a contumaz clareza dos mundos geograficamente superiores, que enquanto nos querem se fazem onipresentes em nossas vidas.

O ódio sempre existiu e sempre existirá, mas hoje ele se direciona não para as unidades ou para os singulares, acostumados com tal forma de viver centrada no si, mas sim para as estruturas e para essa torre de existência que nos limita e nos engana. A morte dos céus não está na morte de seus integrantes, mas na derrubada de seus alicerces.

De toda forma, seria ela um anjo ou demônio adversário? Tanto faz. Os anjos já não são os mesmos e os demônios muito menos. Neste buraco abadônico, o que mais se busca é o passar dos dias e às vezes um lugar sobre as rochas ígneas onde o sono de Hypnos nos ajude a esquecer da morte constante. Subir a escada da existência, por aqui, é um processo individual. O fogo primordial não habita as profundezas anaeróbicas, mas também não pode existir na excessividade estratosférica. É preciso usarmos nossas asas não só para voar, mas primeiro para nos equilibrarmos na caminhada, pois elas ainda não estão prontas para a viagem. A escalada, hoje, se dá de forma menos heroica e menos unida, mas já é possível traçar os próprios trajetos e atravessar aqueles que no caminho do meu objetivo se estabelecem.

quinta-feira, 24 de setembro de 2020

Sonhos: casualidade e expectativa

O vasto panorama dos sonhos sempre fora confuso em um primeiro momento, mas sempre apresentava uma vastidão de possibilidades a descobrir e situações para se atentar. Aquele portal, atravessado quase todas as noites de sono, nunca tinha destino certo. Aí sempre residiu a graciosidade de ser tragado por tais universos: abrir os olhos dentro da própria mente para caminhar em mundos distantes, para conviver com seres irreconhecíveis mesmo quando são arquétipos de seres próximos ao ponto de serem parte de nós mesmos. O extraordinário está em explorar enquanto vive e se adapta a uma realidade muitas vezes desconhecida e que não se sabe se será a última ou mesmo se retornará algum dia depois daquele.

Desta vez, eu me encontro no topo de um morro. Um morro que se eleva na noite, não muito acima do nível do mar, este que é possível ver alguns quilômetros à frente. A Lua, cheia, ilumina todo o horizonte tomado pela relva dos morros com a exceção da baía através da qual as águas salgadas agitadas se estendem. Por mais que esteja claro, é mais que claro que o céu está negro de nuvens, e relâmpagos rolam pelo teto celeste acompanhando o som dos trovões que anunciam a tempestade iminente.

Olho para o meu entorno com atenção, procurando entender a paisagem e a presença (ou falta de) estruturas óbvias que possam esconder algo de interessante. Porém, como a minha orientação já parece óbvia pelo lugar em que me manifesto, o único caminho é à frente. Do topo da ladeira para o fundo do vale, se inicia meu caminhar atento e constante. A curiosidade inunda minha mente antes da chuva. Estará aqui o destino do meu sonho?

terça-feira, 2 de abril de 2019

A chama antiga que consome e ressuscita

Você ainda me atormenta em meus sonhos. A insensatez da volúpia, da proximidade, do magnífico olhar há muito distante mas nunca esquecido. Sua existência é um buraco negro semprepresente no plano da minha criatividade e do meu universo delirante das noites da minha vida. Sua presença no meu passado ecoa no meu presente e molda minha mente rumo ao futuro.

Os demônios às vezes sonham com os anjos. Sonham com a sua companhia em noites livres, iluminadas, onde podem usufruir da companhia um do outro em meio à multidão sem preocupar-se com o julgamento daqueles alheios à situação. São os mesmos anjos estes que estiveram presentes em meio à nós, que nos trouxeram a beleza, que nos trouxeram o conhecimento da esperança e da possível proximidade dos extremos através das barreiras da vida e dos contextos.

Por mais que tenha sido passageiro... Por mais que, olhando para trás, a convivência possa ter sido rápida como um raio e, por mais que eu odeie admitir que também tenho culpa no que diz respeito à celeridade da convivência além das sombras segredantes, foi esse raio específico que fulminou minha existência e deixou uma marca que eu não desejo nunca esquecer.

Queira ou não queira, o tempo nos carrega para o desconhecido. Porém, as trevas do presente e do futuro se tornam menos assombrosas quando a luz da sua lembrança se faz presente na minha mente. Os olhos da minha mente nunca deixaram de vislumbrá-la.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Nightmare

Enquanto o homem abria a porta do quarto, eu podia ver a luz fraca que entrava da placa de motel do outro lado do estacionamento, esta que cortava alguns pedaços de escuridão que ainda permeavam e tentavam esconder o que se passava. Olhando para a direita, podia ver o corpo dela no chão, banhado em morte vermelha. Arregalava meus olhos, mas os contorcia pela dor de olhar para baixo e observar meus pés arrancados na altura do tornozelo. A serra elétrica ainda parava de girar na mão do vulto, enquanto ele continuava parado a olhar, esperando que eu reconhecesse o ambiente. Enquanto minhas mãos tentavam me ajudar a me levantar e ficar pelo menos sentado, o que não se mostrava possível, pude ouvir as seguinte palavras sendo ditas da direção da porta...

-Você até pode acordar de um pesadelo, mas nunca poderá acordar da sua vida.

Enquanto eu sentia o sangue fluindo pelos meus pés, concordei...

''Sim, minha mente está certa...''

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Homenagem ao réquiem de minha imortalidade que há muito se esvaiu

Sonhos... Incontáveis... Abafados na neblina de meus olhos... Neles penetro densas floretas, rios azulados, cachoeiras torrenciais, e me encontro perdido na encruzilhada das árvores negras da alma, e sou levado ao centro da cidade que é o meu pesadelo.

O centro da pequenez, prostitutas gordas e raquíticas seguem meu andar, e eu encontro uma delas, diferente de todas as outras, perdida na necessidade do bater em uma porta. A reconheço de longe. A reconheceria à qualquer distância... Os sonhos não podem ser esquecidos. Os cabelos e roupas são buracos negros de meu espírito, os olhos refletem a tristeza do meu passado incansavelmente longe e relembrado. Ao tocar dos olhos, esta foge para longe, com a mesma facilidade de sempre, e eu sigo meu caminho, mais uma vez perdido...

As cavernas úmidas e estreitas de pedra... Me esgueiro por seus espaços na companhia das entidades tão perdidas quanto eu, em busca do que me resta. Um lobisomem rastejante... Sou eu. Um abismo se estende à minha frente, e à queda se estende a morte. Agarrado nas paredes pedregosas, sigo meu caminho sem destino. O fogo derrete meu propósito, e atravesso a ravina cavernosa.

Uma mansão, caindo aos pedaços. Um sonho, grandioso, mas que não encontra em seus pés a estrutura. Ali encontro minha musa novamente. Minhas patas lupinas flamejantes de volúpia sangrenta rasgam a carne de qualquer um que me impeça de alcançá-la em meu sonho. Lentamente me aproximo, descendo as escadas encaracoladas... Os cordeiros aos meus pés...

Não me lembro do meu fim, mas sei que o lobisomem abandona o corpo que o domina, e quem o drena é o poder dos dedos compridos e repletos da nostalgia passada... Como que em outra vida...