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terça-feira, 17 de dezembro de 2024

Relações interpessoais

 É sempre tão difícil. Por mais que eu conheça a teoria, as ideias, as palavras, a ciência, as variáveis e até os personagens, é sempre tão difícil. Às vezes não parece, mas parece que quase sempre é. Pelo menos quando falamos de forma individual e extensa.

O passado é estranho. Refletindo, agora, parece-me que nem sempre foi. Ou nem com todo mundo. Mas há categorias de pessoas com as quais sempre é. Seriam aqueles que mais admiro(ei)? Seriam aquelas mais enigmáticas? Seriam aquelas onde sinto que tenho mais a perder em forma de potencial (essa ideia que ainda se agarra como um parasita)?

Às vezes penso que isto é algo exclusivo, mas talvez não seja. Porém, não é tão comum porque é algo sempre percebido. Vai saber. Hiperanálise sempre nos decepciona e martiriza, nesses momentos.

Vergonha acumulada às vezes se transforma em compaixão pelo diferente, pelo doente, pelo transtornado. Mas não será isto um mero mecanismo de defesa? Uma forma de procurar um culpado externo? Uma parte da eterna fuga da responsabilidade? Não seria isto mais um sintoma do próprio problema? Se sim, está aí o próprio Ouroboros.

De qualquer forma, é tão difícil de lidar. Sempre foi e às vezes parece que sempre será. Medo, falta de identificação. Expectativas boas e ruins. Paralisia.

Ah, se eu soubesse. Mas é aí que mora a graça de vida. Quase nunca se sabe.

E se, sabendo, quase sempre surge um arrependimento questionável, por que não tentar sem saber?

Sei lá. É tão difícil.

sexta-feira, 14 de maio de 2021

A proximidade do Frio

O frio é a estação da aproximação. Ao contrário do que muitos dizem, é no frio que desejamos ter alguém por perto. É no frio que queremos alguém para compartilhar o calor e pra darmos gosto aos calafrios e fim ao frio constante. É no frio que o outro se torna uma presença física que literalmente troca sua energia conosco.

É no frio que a aproximação mais vem a mente e mais faz falta.

Mas, felizmente no meu caso, neste frio de agora, essa aproximação é mais vontade do novo que saudade do antigo e assim dói menos e objetiva mais. Não tem nascimento no desprezo ou na revolta mas sim na volúpia e na especulação e imaginação futuras.

O frio é a estação do calor, mesmo que este se dê através do frio compartilhado. O frio é a subtração multiplicada, onde menos com menos é mais.

O pêndulo das emoções se move para frente e para trás e a cadeia de pensamentos abre suas celas para que as reflexões se esquentem no banho de Sol.

Se não compartilho do meu frio caloroso, me esquento com as ideias que sustento na minha Ideia de futuro. Escrever é meu prazer insolícito, insolente e sem estribeiras. É onde eu sou eu e onde deixo parte de mim. Onde me multiplico e me torno mais.

É no frio que esquento minha História.

terça-feira, 9 de março de 2021

Desabafo

 Já se sentiu inútil, imprestável, insuficiente, vazio, ignorado, pequeno e teve medo de se sentir e ser visto assim pro restante da sua vida?

Hoje é só isso... E hoje é figura de linguagem, já que aqui jaz um resumo da minha vida atual. Não consigo parar de pensar nisso e me sentir pior que morto. Talvez falar para as paredes desta catedral ajude. Talvez não. Mas sinto que preciso desabafar. Quero voltar a escrever, mas só penso num tópico, num tema, e não trago nada de novo. Isso tem que passar. Pandemia, decepções, autodestruição, síndrome de impostor, nostalgia, saudades, confusão...

Tudo isso domina a vida neste momento e não dá espaço pro foco em mais nada.

Duvidar de si mesmo é cruel.

É masoquista

Inevitável?

Pare.

Só.



sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Não é só você...

Não é só você. É a sua história, é a sua trajetória, a sua memória, a sua luta. E também é você. Os seus sonhos, os seus objetivos, os seus planos, os seus olhos, os seus cabelos, os seus beijos, os seus abraços, o seu corpo, a sua voz e até o formato das suas mãos.

Mas não é só você. É o impacto que você causa em mim. É a vontade que você me traz de ser o meu melhor em tudo e de tornar esse melhor o meu pior quando eu alcançar um nível mil vezes acima do que aquele que eu estou hoje. É a sensação que você me traz de que, mesmo que o mundo ao meu redor esteja em chamas, as labaredas não terão efeito sobre mim pois elas não me importam.

É o sentimento de que tudo é possível, todo obstáculo é pequeno, toda montanha é uma mera pedra no caminho, todo rio é atravessado a nado, toda chuva é refrescante, toda distância é ínfima, toda dificuldade é fútil, todos aqueles que se colocam no meu caminho são fracos e todo esforço vale a pena se o objetivo estiver ao seu lado.


Espero que esta seja a última vez que eu fale disso, mas quero deixar deixar marcado na eternidade das eras que, para mim, você só é você se o for em sua totalidade e eu só te amo assim.As palavras não conseguem fazer jus ao todo do que eu sinto e anseio, mas ninguém pode me acusar de não tentar.

Os pensamentos ficam cada vez mais conflitantes, mas o sentimento é o mesmo. A vontade é a mesma. Mas o objetivo precisa ser outro. Não importa o quanto o cego quer ver. Sua força de vontade sozinha não vai fazê-lo enxergar. Às vezes é preciso aceitar que a conclusão das nossas vontades não depende só da nossa força de vontade. Nossa vontade de força nem sempre é correspondida. Isso é parte da vida.

Triste, porém parte da vida.

O próximo texto será diferente. Eu juro para mim mesmo sobre a lápide deste texto.

quinta-feira, 12 de novembro de 2020

Solilóquio e Abominação do Si

Felina sagacidade. Enterrada em meu ser, a concepção da síntese e a análise debatem constantemente nas janelas enquanto pelos becos e pelas ruas do consciente caminham temas dos quais é feito solilóquio. Transitam tais proposições em eterno despir e escancaro, mostrando todas as suas hipóteses e todos os seus potenciais significados. Não se manifestam, necessariamente, enquanto significado de um fato exterior, mas antes se apresentam de fora para dentro para resultarem em uma miríade de visões de o fora pelo dentro.

Me atormenta a relação entre tal exercício constante e o resultado que propõe no mundo exterior. Gritos são ouvidos, vindos de todas as janelas. Todos tem a resposta, mas muitas vezes somente uma ação é possível. E nesta também encontramos a inação. Agir ou não agir, o tempo passa da mesma forma.

A insegurança, na maioria das vezes, me leva à inação ou à ação sublime e contida. Por mais que eu não queira e por mais que eu queira agarrar com todas as forças de minhas garras aquela atitude que resumiria um terceiro ser da (in)consciência, o sentimento, a insegurança e o medo me seguram para trás e me detém, prisioneiro de minhas atitudes triviais e fracas.

As consequências me aterrorizam, mas as consequências desse padrão de agir me trazem não só terror mas também ódio.

A luta pela melhora é uma luta de subida que não tem descanso. Enquanto descanso, ela me alfineta nos meus sonhos e me mostra outras mil possibilidades mais fáceis de cenários que não ocorrerão. É preciso lutar contra si mesmo com as armas que você mesmo possui. É se odiar mas se amar o suficiente para tentar se transformar. É fincar a faca no medo e agir às como um zumbi que não pensa, para se acostumar com as consequências aceitáveis de suas atitudes.

É saber que o relógio está batendo, que o tempo está acabando, e que só temos uma chance de viver.

Você vai me mostrar a sua luta? Ou vai me mostrar a sua vitória, batalha por batalha?



segunda-feira, 19 de outubro de 2020

Saudades... Manifestações de saudades

Recém-acordado, sento na beira da cama enquanto me situo para poder buscar algo que sacie a sede. É nesse momento de escuridão e semilucidez que nossos sentidos são reputáveis por nos pregarem as mais diversas peças. Talvez não sejam peças, mas sim somente manifestações de reflexos do que desejamos e valorizamos, fáceis de visualizar nessa transição entre dois mundos.

É aí que sinto, como muitas vezes tenho sentido... Saudade. O sentimento mais sincero, porém ao mesmo tempo o mais massacrante. Clara como a luz da Lua no céu limpo minha mente lembra como é ver seu corpo, de costas viradas para mim, se levantando na madrugada em busca de alguma coisa, não importa o que for, sentada da mesma forma que eu me encontro enquanto tenho tal visão, enquanto dentro desta miragem eu observo deitado e sinto a tranquilidade e a realização de não ser, mas simplesmente estar, ali naquele momento. Minha mente não perambula pelas esferas do consciente em busca de soluções, razões ou problemas, pois todo o nosso foco está no momento.

É enquanto tenho esta visão que começo a imaginar as palavras que aqui escrevo. Algumas não sobreviveram e caíram no esquecimento das horas entre sua concepção e o momento da escrita. Da mesma forma como essas memórias se tornam cada vez mais raras e mais difíceis de reproduzir, perdidas no caminho entre a realidade da vivência e a sobrevivência da saudade.

Sinto falta dos teus cabelos, assim como dos seus olhos, assim como de todo o resto. Sinto falta da pessoa que me acompanhava em meus melhores momentos, pois ajudava a construí-los. Sinto falta da pessoa que me fazia esquecer dos meus problemas, pois todos perdiam a grandiosa importância de antes de frente ao que sentia.

Sigo sem você, como queria que fizéssemos, mas ainda não consigo seguir sem a saudade de você.

quinta-feira, 15 de outubro de 2020

De dentro pra fora e de fora pra dentro

Fumegante, o horizonte é trespassado pela dança das chamas que avançam como bailarinas pútridas que por onde saltitam fazem estremecer o ar e trazem consigo a ceifadora de vidas. Lento, porém quase imparável por mãos solitárias, o círculo dessa ciranda de morte consome tudo aquilo que lhe é próximo e aumenta seu número de participantes e o volume de sua música de forma mútua.

As nuvens vão se tornando mais densas, porém nenhum chuva parece se pronunciar. Árido, o ar se torna quase tóxico enquanto a tarde se torna crepúsculo contra a própria vontade. As luzes dos postes acendem, fazendo o trabalho para o qual foram feitas, mesmo que o façam de forma inesperada.

Todos querem saber quem começou, onde começou e o que motivou os primeiros incêndios. Porém, o importante no momento não está nos motivos mas sim nas soluções. Salvar o que nos resta e preservar o intocado é a única coisa que deve ser feita de imediato. Sobrevivência antes de julgamento e investigação.

É preciso primeiro ficarmos livres daquilo que nos ameaça para depois, enquanto buscamos mecanismos para que não nos ameace novamente, procurarmos entender de onde veio a tempestade infernal que atentou contra o que nos era caro.

De uma forma quase macro-histórica (ou seria micro-histórica?), o interno e o externo continuam andando em conjunto.

Da forma que descrevo o que vi, fisicamente se manifestando, com meus próprios olhos, também descrevo o que que aconteceu comigo em um nível pessoal e que antes, durante e ainda agora sinto no âmago do meu ser.

segunda-feira, 14 de setembro de 2020

Confusão e renascimento

Tempo e confusão andam de mãos dadas e destroem com cólera tudo aquilo de que se apossam. Enquanto esta gera desespero, aquele o prolonga e o torna uma bigorna soturna na face do muro aparentemente permanente que se ergue diante da caminhada através do vale das sombras.

A esperança, antes de sofrer o golpe final, é posta em estado vegetativo pela confusão, que se agarra com seus 50 dedos às pernas hospitalizadas enquanto tenta largá-las sem olhar ao redor. É somente após a morte definitiva desta confusão é que a esperança é abandonada para morrer ou desaparecer como se nunca houvesse sequer existido.

É somente após a aniquilação da confusão que é aberto o caminho para o ninho interno do renascimento da alma. A fênix, anteriormente encapsulada em um casulo construído ao longo do tempo enquanto este se faz dono dela, ressurge e desperta coberta de cinzas. Cinzas estas que não somente caem e esvoaçam mas que também são absorvidas e se tornam parte de seu Ser mais interno. São as cinzas que servem de alimento para a expulsão da dominação e para a reconstrução das asas que pairam sobre toda a existência de que elas mesmas fazem parte.

O assassinato da confusão e seu desligamento do Tempo são o primeiro passo para o despertar do Titã que foi afogado em túmulo profundo, abaixo do Hades, no Tártaro interno da existência medíocre e dependente da luz exterior. É somente após absorver a escuridão de sua prisão que a força se faz suficiente para concluir a destruição do que lhe faz cárcere e para tomar seu lugar de direito.

Liberte-se. Renasça e destrua aquilo que lhe corrói. A ferrugem corrói o aço esquecido mas, se mantida sob controle, deixa de existir.

quinta-feira, 4 de junho de 2020

O fogo negro de Qliphoth, sempre-consumindo para a árvore da vida, a mim corresponde ao fogo que consome meu ser mas que se manifesta limitador e criador. Uma chama cega que quanto mais cria mais destrói. Um manifesto abominável e atormentador que acelera a perdição e toma conta com angústia, desespero e desafio, invocando ódio, dúvida, apreensão e fúria. Porém, essa chama criativa é uma mera casca destrutiva que ao queimar o último galho da existência trará o nada que restará e levará para eterna Sitra Achra, em busca do Vazio inconsciente onde tudo é possível, imanente, infinitamente profundo e ao mesmo tempo raso e inerte.

É no ápice da existência que a ingenuidade abriga a destruição interna. É na proximidade com a luz criativa que a ignorância dá espaço para a negritude da fronteira abismal, e não quando se está a procura da mesma. Eterno cabo-de-guerra onde o Oceano perene é o único resultado mas onde a permanência do tempo é o prêmio buscado por aquele que possui esperança e onde a confusão incandescente é a porta de entrada para o túnel vertiginoso da Escuridão Primordial.

terça-feira, 2 de abril de 2019

A chama antiga que consome e ressuscita

Você ainda me atormenta em meus sonhos. A insensatez da volúpia, da proximidade, do magnífico olhar há muito distante mas nunca esquecido. Sua existência é um buraco negro semprepresente no plano da minha criatividade e do meu universo delirante das noites da minha vida. Sua presença no meu passado ecoa no meu presente e molda minha mente rumo ao futuro.

Os demônios às vezes sonham com os anjos. Sonham com a sua companhia em noites livres, iluminadas, onde podem usufruir da companhia um do outro em meio à multidão sem preocupar-se com o julgamento daqueles alheios à situação. São os mesmos anjos estes que estiveram presentes em meio à nós, que nos trouxeram a beleza, que nos trouxeram o conhecimento da esperança e da possível proximidade dos extremos através das barreiras da vida e dos contextos.

Por mais que tenha sido passageiro... Por mais que, olhando para trás, a convivência possa ter sido rápida como um raio e, por mais que eu odeie admitir que também tenho culpa no que diz respeito à celeridade da convivência além das sombras segredantes, foi esse raio específico que fulminou minha existência e deixou uma marca que eu não desejo nunca esquecer.

Queira ou não queira, o tempo nos carrega para o desconhecido. Porém, as trevas do presente e do futuro se tornam menos assombrosas quando a luz da sua lembrança se faz presente na minha mente. Os olhos da minha mente nunca deixaram de vislumbrá-la.

domingo, 8 de abril de 2018

A insistência do vazio nas portas da mente

As doces legiões de imortais seguidores
A infinita fúria de outrora manifestada na chama da possibilidade
A loucura disforme, incansável, repetidora de angústias
A subida eterna da maré sufocante de insanidade e descrença

O desejo do passado, da morte e do vazio
O doce beijo do vazio e da morte das ideias
A morte da dor lancinante da alma que não descansa
Que a estrutura humana não compreende, não combate e não prevalece sobre
Que a superfície só demonstra de forma inevitável
Que o interior inunda e é inundado, perdendo o controle na aurora da tortura

A incansável disputa pela mente cristalina

Caos

Engano, traição, volúpia, perseverança, neutralidade
Consistência, eminência, decadência, desapego

A luz da manhã se apaga
O aspecto instintivo da existência murcha
Confusão substitui esperança
Arrependimento decompõe o futuro

E eu me apago perante a inevitabilidade da vida e da chama.