segunda-feira, 7 de setembro de 2020

Labiríntico esforço mental da existência

Os caminhos do labirinto da vida se parecem. As paredes, o terreno, as entradas, as saídas, os tetos (nas partes fechadas) e os céus (nas partes abertas). Por mais que eu ande, por mais que eu escolha, por mais que eu adore e odeie, eles não mudam.

Às vezes temos encontros inesperados. Um quadro, uma flor, um cipó, uma trepadeira ou uma rachadura no chão. Um caminho bloqueado que nos obriga a retornar ou uma falsa sensação de realização. Todos levam ao mesmo lugar. Mais caminhos se formam.

Mas a inevitabilidade do labirinto não é o que me espanta. o que me espanta é a sua falta de sentido. Lutamos para seguir, para continuar e para objetivar a nossa caminhada constante. Queremos saber, entender e conseguir. Se o que importa é o caminho, por quê ele nos mantém exilados?

Há quem encontre sustento em permanecer em um único lugar, bradando ser ali o seu destino.

O exílio e o caminho solitário se mostram os maiores inimigos da vontade do caminhar. A esperança, já a maior aliada desta, nasce enorme e definha ao longo da repetitividade da frustração temporal. É ao longo das eras cerebrais e reflexivas que me perco. Me perco na vontade de que me acompanhe e me liberte da introspecção e das matrizes cíclicas, trazendo o novo, a dialética, o diálogo e a companhia que metamorfoseia essas paredes incessantes que esmagam sem que precisem me tocar.

se a caminhada para, e ninguém está ali para ver, por acaso ela alguma vez aconteceu?

segunda-feira, 13 de julho de 2020

A insuportabilidade da vida

Às vezes percebo...
Percebo que viver se torna insuportável. Minha mente anseia por saber, por entender a motivação que leva a este infortúnio torturante, porém é ela mesma que aprofunda a faca e a prensa que esmagam o meu crânio e sufocam a minha alma, restringindo meus pulmões. É ela que me afoga enquanto lança a corda para resgate. A mesma corda que apronta para o enforcamento. Qual a racionalidade subconsciente e onde se originou tal busca e afeto pela mediocrização da vida e da experiência da continuidade da existência da consciência humana?
O viver em sociedade, embora às vezes necessário, polui a mente com tais pensamentos. A hiper-análise constante da pactuação dos seres e de suas vontades, desejos e maquinações reforça esta busca pelo apagamento da sobrevida.
Enquanto sozinho, o ser se fortalece em seu castelo interno, barra a sua mente e acende a chama de seu âmago, purificando-se dos pensamentos das finitudes. Mas é quando se abre e sai de si para percorrer e aventurar o mundo externo, em busca de novas (ou re-novas) experiências e conhecimentos e interações, é que deixamos escancaradas as portas da fortaleza, trazendo os antigos inimigos fortalecidos por novos aliados que habitam com o mesmo intuito dominador e destruidor. É através disso que me dominam a mente tais pensamentos, a volúpia mental pela não-existência e pela morte do sofrimento causado pela própria mente. A auto-sabotagem é o que me traz a vontade da morte da auto-sabotagem.

Liberte-me de mim mesmo.

quinta-feira, 4 de junho de 2020

O fogo negro de Qliphoth, sempre-consumindo para a árvore da vida, a mim corresponde ao fogo que consome meu ser mas que se manifesta limitador e criador. Uma chama cega que quanto mais cria mais destrói. Um manifesto abominável e atormentador que acelera a perdição e toma conta com angústia, desespero e desafio, invocando ódio, dúvida, apreensão e fúria. Porém, essa chama criativa é uma mera casca destrutiva que ao queimar o último galho da existência trará o nada que restará e levará para eterna Sitra Achra, em busca do Vazio inconsciente onde tudo é possível, imanente, infinitamente profundo e ao mesmo tempo raso e inerte.

É no ápice da existência que a ingenuidade abriga a destruição interna. É na proximidade com a luz criativa que a ignorância dá espaço para a negritude da fronteira abismal, e não quando se está a procura da mesma. Eterno cabo-de-guerra onde o Oceano perene é o único resultado mas onde a permanência do tempo é o prêmio buscado por aquele que possui esperança e onde a confusão incandescente é a porta de entrada para o túnel vertiginoso da Escuridão Primordial.

quarta-feira, 3 de junho de 2020

Reflexão magna nas portas da consciência da existência

Narração
Invocação
Animação
Ilusão
Realização
Desilusão
Conclusão
Aperfeiçoamento
Uma realidade que não pode e nem deve ser definida
Sentimentos que atravessam
Além da mente se expandem
Dominação
Da existência
Liberdade para aterrissar e prisão celeste
Magnetismo cósmico te puxando para baixo
No eixo multidirecional do emaranhado das entranhas da existência
Bruxaria, feitiçaria e magia são somente formas de controle
A mente define a vivência
Passado e futuro transbordam no presente
Realidade parece fútil
Quando conceitos são levianos
A matemática da gramática da razão
Está aquém da transcendência neural
Sonhos se manifestam
Enquanto o vazio infinito nos engole
E nos liberta da sempiterna claustrofobia da esmagante realidade
Uma chama negra eterna vagando nas marés estanques de Ain
Solipsismo
Estoicismo
Imagética
Abominação
Adoração
Avaria
Antecipação
Eloquência
Amaterasu
Maniqueísmo
Tempestade de fogo escarlate celeste
Revigoração
Kundalini

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Eu estive vivendo no lugar escuro.
O lugar onde todos os pensamentos e ações levam à chama negra da eterna escuridão interna que consome, de maneira inerente, presente passado e futuro. A chama que permeia os conhecimentos mais devaneantes. O resultado da reflexão no espelho da vida e da morte.

Às vezes acho-me livre da escuridão, pensando ter escapado para a luz. Porém, não demora muito até ser lembrado de que há frestas no teto do Tártaro para onde escapam as luzes fugidias das chamas do mundo infernal, luzes que penetram as profundezas e se ampliam de forma cônica, dissimulando o trajeto do meu caminhar enquanto busco no eterno andar a fuga da realidade para os mundos internos de outrora, que ainda me acompanham mesmo que de forma sonolenta, atraídos pelos estados moribundos da carcaça humana.

Desde quando estou aqui?

Não lembro quando caí, mas sei que nunca saí.

terça-feira, 2 de abril de 2019

A chama antiga que consome e ressuscita

Você ainda me atormenta em meus sonhos. A insensatez da volúpia, da proximidade, do magnífico olhar há muito distante mas nunca esquecido. Sua existência é um buraco negro semprepresente no plano da minha criatividade e do meu universo delirante das noites da minha vida. Sua presença no meu passado ecoa no meu presente e molda minha mente rumo ao futuro.

Os demônios às vezes sonham com os anjos. Sonham com a sua companhia em noites livres, iluminadas, onde podem usufruir da companhia um do outro em meio à multidão sem preocupar-se com o julgamento daqueles alheios à situação. São os mesmos anjos estes que estiveram presentes em meio à nós, que nos trouxeram a beleza, que nos trouxeram o conhecimento da esperança e da possível proximidade dos extremos através das barreiras da vida e dos contextos.

Por mais que tenha sido passageiro... Por mais que, olhando para trás, a convivência possa ter sido rápida como um raio e, por mais que eu odeie admitir que também tenho culpa no que diz respeito à celeridade da convivência além das sombras segredantes, foi esse raio específico que fulminou minha existência e deixou uma marca que eu não desejo nunca esquecer.

Queira ou não queira, o tempo nos carrega para o desconhecido. Porém, as trevas do presente e do futuro se tornam menos assombrosas quando a luz da sua lembrança se faz presente na minha mente. Os olhos da minha mente nunca deixaram de vislumbrá-la.

domingo, 8 de abril de 2018

A insistência do vazio nas portas da mente

As doces legiões de imortais seguidores
A infinita fúria de outrora manifestada na chama da possibilidade
A loucura disforme, incansável, repetidora de angústias
A subida eterna da maré sufocante de insanidade e descrença

O desejo do passado, da morte e do vazio
O doce beijo do vazio e da morte das ideias
A morte da dor lancinante da alma que não descansa
Que a estrutura humana não compreende, não combate e não prevalece sobre
Que a superfície só demonstra de forma inevitável
Que o interior inunda e é inundado, perdendo o controle na aurora da tortura

A incansável disputa pela mente cristalina

Caos

Engano, traição, volúpia, perseverança, neutralidade
Consistência, eminência, decadência, desapego

A luz da manhã se apaga
O aspecto instintivo da existência murcha
Confusão substitui esperança
Arrependimento decompõe o futuro

E eu me apago perante a inevitabilidade da vida e da chama.