sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Não é só você...

Não é só você. É a sua história, é a sua trajetória, a sua memória, a sua luta. E também é você. Os seus sonhos, os seus objetivos, os seus planos, os seus olhos, os seus cabelos, os seus beijos, os seus abraços, o seu corpo, a sua voz e até o formato das suas mãos.

Mas não é só você. É o impacto que você causa em mim. É a vontade que você me traz de ser o meu melhor em tudo e de tornar esse melhor o meu pior quando eu alcançar um nível mil vezes acima do que aquele que eu estou hoje. É a sensação que você me traz de que, mesmo que o mundo ao meu redor esteja em chamas, as labaredas não terão efeito sobre mim pois elas não me importam.

É o sentimento de que tudo é possível, todo obstáculo é pequeno, toda montanha é uma mera pedra no caminho, todo rio é atravessado a nado, toda chuva é refrescante, toda distância é ínfima, toda dificuldade é fútil, todos aqueles que se colocam no meu caminho são fracos e todo esforço vale a pena se o objetivo estiver ao seu lado.


Espero que esta seja a última vez que eu fale disso, mas quero deixar deixar marcado na eternidade das eras que, para mim, você só é você se o for em sua totalidade e eu só te amo assim.As palavras não conseguem fazer jus ao todo do que eu sinto e anseio, mas ninguém pode me acusar de não tentar.

Os pensamentos ficam cada vez mais conflitantes, mas o sentimento é o mesmo. A vontade é a mesma. Mas o objetivo precisa ser outro. Não importa o quanto o cego quer ver. Sua força de vontade sozinha não vai fazê-lo enxergar. Às vezes é preciso aceitar que a conclusão das nossas vontades não depende só da nossa força de vontade. Nossa vontade de força nem sempre é correspondida. Isso é parte da vida.

Triste, porém parte da vida.

O próximo texto será diferente. Eu juro para mim mesmo sobre a lápide deste texto.

quinta-feira, 12 de novembro de 2020

Solilóquio e Abominação do Si

Felina sagacidade. Enterrada em meu ser, a concepção da síntese e a análise debatem constantemente nas janelas enquanto pelos becos e pelas ruas do consciente caminham temas dos quais é feito solilóquio. Transitam tais proposições em eterno despir e escancaro, mostrando todas as suas hipóteses e todos os seus potenciais significados. Não se manifestam, necessariamente, enquanto significado de um fato exterior, mas antes se apresentam de fora para dentro para resultarem em uma miríade de visões de o fora pelo dentro.

Me atormenta a relação entre tal exercício constante e o resultado que propõe no mundo exterior. Gritos são ouvidos, vindos de todas as janelas. Todos tem a resposta, mas muitas vezes somente uma ação é possível. E nesta também encontramos a inação. Agir ou não agir, o tempo passa da mesma forma.

A insegurança, na maioria das vezes, me leva à inação ou à ação sublime e contida. Por mais que eu não queira e por mais que eu queira agarrar com todas as forças de minhas garras aquela atitude que resumiria um terceiro ser da (in)consciência, o sentimento, a insegurança e o medo me seguram para trás e me detém, prisioneiro de minhas atitudes triviais e fracas.

As consequências me aterrorizam, mas as consequências desse padrão de agir me trazem não só terror mas também ódio.

A luta pela melhora é uma luta de subida que não tem descanso. Enquanto descanso, ela me alfineta nos meus sonhos e me mostra outras mil possibilidades mais fáceis de cenários que não ocorrerão. É preciso lutar contra si mesmo com as armas que você mesmo possui. É se odiar mas se amar o suficiente para tentar se transformar. É fincar a faca no medo e agir às como um zumbi que não pensa, para se acostumar com as consequências aceitáveis de suas atitudes.

É saber que o relógio está batendo, que o tempo está acabando, e que só temos uma chance de viver.

Você vai me mostrar a sua luta? Ou vai me mostrar a sua vitória, batalha por batalha?



terça-feira, 3 de novembro de 2020

Caos generalizado!

"Estupro culposo"

"casos isolados"

a exceção que já se torna regra

a natureza em chamas

o Inferno é na Terra

Nos dizem o que pensar

nos dizem como pensar

querem a nossa cabeça

por dentro e por fora

Auto sabotagem

Pra quê, num país que mata o seu próprio povo?

Elegemos nossos inimigos

e ainda torcem pra que nos salvem

Hipocrisia

devastação mental

necropolítica é um projeto de vida

Indignação

Morte

Ódio

Abuso

Ação

Reação

Revolta

Justiça, uma palavra que perdeu o sentido

A união é a única esperança de força

Nós contra eles

eles contra Nós

como podemos resolver o que está por dentro

se estão eliminando o que está por fora?

Caos generalizado

Caos generalizado

Caos generalizado

sexta-feira, 30 de outubro de 2020

Nostálgica tarde de sexta-feira

 A meia-luz do tempo chuvoso entra pelo vidro da janela do meu quarto enquanto caminho com o notebook em uma mão e uma e a caneca de café na outra. São 12:12. Na trajetória até a cama, atualmente o local de preferência para passar meus dias durante essa pandemia global que ainda nos assola mesmo sendo cada vez mais ignorada e teorizada, contemplo meus dois baixos com alegria nostálgica e expectativa futura. O Sol magro que se manifesta traz uma sensação cinematográfica e lembra tempos mais romantizados em que a música, o clima e a conversa sobre ambos me trazia toda a alegria de que eu precisava.

Não há frio, mas também não há calor.  Com uma leve virada de cabeça consigo visualizar tudo que me traz sentido e que representa quem eu sou. Os baixos, pedal, o amplificador, roupas, capacete, CDs, calçados, ferramentas, livros e até o meu próprio cabelo.

Aos poucos, esse estado de consciência vai me inundando e mostrando que veio para ficar como o novo normal. O primeiro sacudir do mar turbulento assusta e traz o medo, mas mesmo a sua inconstância se torna uma constante.

Tenho me sentido bastante nostálgico de tempos mais simples, mas acredito que isso é um reflexo da simplicidade atual que veio com a liberação de espaços. Não mais a vontade de me moldar para me encaixar, mas sim de ser e de mudar por mim mesmo, porém sem pressa e sem desespero.

No meu mundo, eu sou Deus de tudo. Como mais haveria de ser? Por quê seria eu insuficiente se sou eu que produzo, através dos meus sentidos, toda a existência ao meu entorno? 

O caminho é para frente, mas onde estou não só já é parte do caminho como já foi parte do objetivo. O Eu de 10 anos atrás estaria orgulhoso mas não surpreso com o Eu de agora. E é isso que nos liga.



segunda-feira, 19 de outubro de 2020

Saudades... Manifestações de saudades

Recém-acordado, sento na beira da cama enquanto me situo para poder buscar algo que sacie a sede. É nesse momento de escuridão e semilucidez que nossos sentidos são reputáveis por nos pregarem as mais diversas peças. Talvez não sejam peças, mas sim somente manifestações de reflexos do que desejamos e valorizamos, fáceis de visualizar nessa transição entre dois mundos.

É aí que sinto, como muitas vezes tenho sentido... Saudade. O sentimento mais sincero, porém ao mesmo tempo o mais massacrante. Clara como a luz da Lua no céu limpo minha mente lembra como é ver seu corpo, de costas viradas para mim, se levantando na madrugada em busca de alguma coisa, não importa o que for, sentada da mesma forma que eu me encontro enquanto tenho tal visão, enquanto dentro desta miragem eu observo deitado e sinto a tranquilidade e a realização de não ser, mas simplesmente estar, ali naquele momento. Minha mente não perambula pelas esferas do consciente em busca de soluções, razões ou problemas, pois todo o nosso foco está no momento.

É enquanto tenho esta visão que começo a imaginar as palavras que aqui escrevo. Algumas não sobreviveram e caíram no esquecimento das horas entre sua concepção e o momento da escrita. Da mesma forma como essas memórias se tornam cada vez mais raras e mais difíceis de reproduzir, perdidas no caminho entre a realidade da vivência e a sobrevivência da saudade.

Sinto falta dos teus cabelos, assim como dos seus olhos, assim como de todo o resto. Sinto falta da pessoa que me acompanhava em meus melhores momentos, pois ajudava a construí-los. Sinto falta da pessoa que me fazia esquecer dos meus problemas, pois todos perdiam a grandiosa importância de antes de frente ao que sentia.

Sigo sem você, como queria que fizéssemos, mas ainda não consigo seguir sem a saudade de você.

quinta-feira, 15 de outubro de 2020

De dentro pra fora e de fora pra dentro

Fumegante, o horizonte é trespassado pela dança das chamas que avançam como bailarinas pútridas que por onde saltitam fazem estremecer o ar e trazem consigo a ceifadora de vidas. Lento, porém quase imparável por mãos solitárias, o círculo dessa ciranda de morte consome tudo aquilo que lhe é próximo e aumenta seu número de participantes e o volume de sua música de forma mútua.

As nuvens vão se tornando mais densas, porém nenhum chuva parece se pronunciar. Árido, o ar se torna quase tóxico enquanto a tarde se torna crepúsculo contra a própria vontade. As luzes dos postes acendem, fazendo o trabalho para o qual foram feitas, mesmo que o façam de forma inesperada.

Todos querem saber quem começou, onde começou e o que motivou os primeiros incêndios. Porém, o importante no momento não está nos motivos mas sim nas soluções. Salvar o que nos resta e preservar o intocado é a única coisa que deve ser feita de imediato. Sobrevivência antes de julgamento e investigação.

É preciso primeiro ficarmos livres daquilo que nos ameaça para depois, enquanto buscamos mecanismos para que não nos ameace novamente, procurarmos entender de onde veio a tempestade infernal que atentou contra o que nos era caro.

De uma forma quase macro-histórica (ou seria micro-histórica?), o interno e o externo continuam andando em conjunto.

Da forma que descrevo o que vi, fisicamente se manifestando, com meus próprios olhos, também descrevo o que que aconteceu comigo em um nível pessoal e que antes, durante e ainda agora sinto no âmago do meu ser.

quarta-feira, 7 de outubro de 2020

O Martelo e a Bigorna que formarão o meu destino

Falha. Arrependimento. Infelicidade. Ódio próprio. O ciclo se mantém há gerações, estas sem vontade e sem coragem para mudar o que lhes foi apresentado e não foi combatido. O caminho lhes foi traçado pela causalidade e não pela volúpia de construir a si mesmo, ou de chegar a um objetivo que valesse a pena.

O medo era grande demais.

Eu serei o martelo e a bigorna que estraçalharão a sandice desse ciclo. Não mais por falta de tentar, não mais por falta de força de vontade, não mais por covardia e não mais por comodismo morrerão os sonhos e os objetivos de uma pessoa. Não mais por falta de movimento a vida será abandonada em favor da existência. Os erros e derrotas serão sempre presentes, mas não dominarão o panorama da pangeia de possibilidades e oportunidades que se estendem neste mundo interno que se projeta em minha mente.

Nunca mais quero me associar seja ao fracasso ou à perdição de meus predecessores. Nossas vidas são eternas na História mas únicas enquanto ainda em seu processo. Que se eternizem também vitórias e não só perdas. Que os exemplos sejam dignos de alegria e não nefastos. Que a influência traga progressão e não atraso. Se arrependa, mas não morra no passado nem mate o futuro enquanto estrangula o presente a todo momento em que seus olhos estiverem abertos.

Torne-se quem você sempre quis ser e subtraia do seu vocabulário intrínseco as palavras viciadas e os feitios que levaram seus ancestrais à falha.

Liberte-se dessa prisão criada sobre ti com engenharia de outrem mas usando as tuas próprias mãos. Quebre o ciclo. Não esmague-o, mas o estilhace. Ele não fará parte da sua vida nem das vidas que seguirão. Mate o que te mata. A força dele está na sua derrota.